terça-feira, 21 de setembro de 2010

Politização da vida alheia

Tem umas coisas que acontecem na política que me irritam profundamente...
Aqui em Minas existe o mito de quem faz tudo de ruim ocorrer neste meio é uma certa Andreia Neves, irmã do Aécio Neves, ex-governador e virtualmente eleito senador. Não conheço pessoalmente nem um, nem o outro. Mas Andreia Neves seria famosa por pedir cabeças e ditar linhas editoriais de jornais. Bom, já conheci vários políticos e assessores assim... Não seria novidade alguma para mim. Há muitos anos deixei de ser a virgem no bordel...
Por questões meramente pessoais, detesto quem pede cabeça de jornalista.
Até porque já ocupei o comando de uma redação e sei o quanto isso é ruim. Me lembro de que, uma vez, uma jornalista foi demitida após um pedido destes. Na única chance que eu tive de conversar com a deputada que pediu a cabeça, falei tudo o que pensava à respeito da questão e a parlamentar, imediatamente, pediu que a repórter fosse recontratada -- o que efetivamente ocorreu.
Detalhe: eu não tinha nenhuma simpatia pela repórter...
No jornalismo, há vários tipos de demissão. Demite-se por erro, por corte de pessoal, por não gostar do trabalho do funcionário e por um monte de outras coisas. Mas são raras as chamadas demissões políticas, feitas por que alguém "pediu a cabeça".  Como no caso que acabei de contar.
Pois bem, no dia 3 de setembro, antes do feriado, por uma decisão estritamente de redação, o editor de política do Hoje em Dia foi demitido -- e para variar, a tarefa de fazer a comunicação ao profissional foi minha. Ô sina.... Trabalhei pouco tempo com ele, me pareceu sempre ser um sujeito correto, mas houve uma decisão do diretor de redação e ele foi desligado. Uma decisão que não tinha nenhuma influência política -- até porque isso é discutido comigo e o diretor de redação, que é meu amigo particular, jamais me deixaria sem saber detalhes do porquê do corte de um jornalista.
Depois da demissão começou a palhaçada política...
Primeiro, o blog de um deputado tentou politizar a demissão já no feriadão, ligando a dispensa do jornalista a uma suposta visita da tal Andreia Neves ao jornal. Detalhe: como sempre, vivo intensamente a rotina dos jornais onde trabalho, chegando cedo e saindo tarde -- aqui em BH vivo ainda mais intensamente, já que não estou com mulher ou filhas por perto. Mesmo com essa rotina, não vi a tal senhora visitar o jornal. Pode até ter vindo. Mas eu não vi. E nem falei com ela.
Depois, absurdo maior, criaram um blog em protesto pela "liberdade de imprensa" em Minas, onde publicavam a matéria que teria causado a demissão do editor.
Sabe por que é absurdo?
Por que a matéria foi publicada no portal do jornal UMA SEMANA depois da demissão. Isso mesmo: uma semana depois. E mais: quem postou a matéria foi uma ferramenta de sistema, que captura a informação em plataformas de notícias. E aí vem o último absurdo: era matéria da Agência Estado.
Teoria da conspiração mais furada que essa, impossível...
Sinceramente, tenho ouvido um monte de bobagens sobre esta demissão. Mas ninguém pensa no jornalista demitido, transformado agora em centro de uma briga política sem nada ter a ver com isso.
Ou seja, ele virou mártir de uma causa. Para muitos, sinal de que estaria ligado a um lado da briga política. Estão, sutilmente, rotulando-o de ser partidário de alguém.
Pelo que convivi com ele, não é verdade. O sujeito era imparcial, neutro mesmo. Mas agora colaram nele um rótulo de Anti-Aécio.
Nada pode ser pior...
Jornalista gosta de cerveja, mas não é garrafa para ter rótulo. Deixem o sujeito em paz e vão tratar de arrumar um argumento decente para derrubar este ou aquele político....

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