Por favor, não me venham com
Messi. Joga muito, tem tudo para ser um dos top five de todos os tempos, mas
craque absoluto só houve um: Pelé.
Nascido Edson Arantes do Nascimento, em Três Corações (MG), Pelé construiu uma carreira
memorável, repleta de gols e de títulos, inclusive três Copas do Mundo, feito
até hoje inédito no futebol.
Pois bem, há exatos 55 anos, Pelé balançou as redes do mítico Maracanã pela primeira vez na história. E não foi com a camisa do Santos, seu clube. Nem com a da seleção, embora a camisa que ele envergasse naquele 19 de junho de 1957 fosse bem mais bonita.
Pois bem, há exatos 55 anos, Pelé balançou as redes do mítico Maracanã pela primeira vez na história. E não foi com a camisa do Santos, seu clube. Nem com a da seleção, embora a camisa que ele envergasse naquele 19 de junho de 1957 fosse bem mais bonita.
Pelé vestia, simplesmente, a 10 do Vasco.
Era um garoto de 16 anos. E foi
"emprestado" pelo Santos para a disputa do Torneio Internacional
do Morumbi, uma competição com jogos no Rio e na capital paulista, promovida pelo São Paulo para celebrar a
inauguração de seu estádio, o Morumbi, que só ficaria pronto em 1960... Por
isso, os jogos disputados em São Paulo foram no Pacaembu.
E o português é que é chamado de burro...
Mas vamos em frente.
Naquela mesma
época, o Vasco tinha um tremendo esquadrão, que se sagrara campeão carioca em
1956. O time principal vascaíno estava na Europa, em excursão. Um giro
vitorioso, aliás, pois acabara de conquistar o Torneio de Paris, anunciado à
época como um Mundial de Clubes, metendo 4 x 3 em cima do todo poderoso Real
Madrid na final, em 14 de junho de 1957. E que iria golear o Barcelona por 7 a 2.
Por isso, desfalcado, o Vasco propôs ao Santos
que os dois times formassem um combinado para a disputa do torneio em terras
brasileiras. O Vasco entrou com Paulinho de Almeida e Bellini,
que estavam à disposição da seleção, e alguns reservas do grupo. Do Santos
vieram alguns nomes consagrados, como Urubatão, Jair Rosa Pinto (ex-jogador do
Vasco nos anos 40) e Pepe. E, claro, o menino Pelé.
No dia 19 de
junho de 1957, Pelé pisaria no Maracanã pela primeira vez, e com a camisa do
Vasco, como mostra a reportagem acima. Vestiu e deu seu cartão de visitas:
balançou as redes do Beleneses três vezes, na vitória por 6 a 1.
O time era de respeito: Wagner, Paulinho,
Bellini e Ivan; Urubatão e Brauner; Iedo (Artoff), Pelé, Álvaro, Jair
(Valdemar) e Pepe.
Foram logo dois gols no primeiro tempo. No seu
melhor estilo, o gol de estreia teve a marca registrada de Pelé: a matada
no peito e o tiro sem defesa para Pereira. No segundo, um toque sutil para
encobrir o arqueiro luso. O último, na etapa final, a bomba de fora da
área.
Naquele instante, o futuro Rei do Futebol, com 16 anos, mostrou ao
mundo o que iria fazer.
O jornal O Globo, na época, desmanchou-se em
elogios:
"O garoto Pelé foi a grande figura do jogo de ontem entre o combinado Vasco-Santos e a equipe lusa do Belenenses, pelo torneio internacional promovido pelo São Paulo. Formado por 4 jogadores do Vasco e 7 do Santos, o combinado arrasou os lisboetas por 6 x 1".
"O elemento destacado no encontro, porém, foi o atacante
Pelé, uma extraordinária vocação de craque de futebol. Não só pelos gols que
conquistou (três) como pela maneira hábil de passar e driblar, Pelé, de apenas
16 anos!, demonstrou que não demorará a merecer um lugar na seleção
nacional".
Parecia uma previsão. E era.
Pelé ainda marcaria mais dois gols com a camisa do Vasco, nos empates contra o Dínamo Zagreb, da então Iugoslávia (hoje Zagreb pertence à Croácia) e contra o Flamengo, ambos 1 a 1.
Em São Paulo, já com a camisa do Santos, ele faria mais um no 1 a 1 com o São Paulo. Mas os cinco gols com a camisa vascaína em, 1957 foram o passaporte para sua convocação para os jogos pela Copa Rocca, contra a Agrentina, em julho de 1957.
O resto da
história todo mundo já sabe: campeão do mundo em 1958, maior jogador do planeta, atleta do Século XX.
Mas tudo começou com esta camisa.
E talvez por conta desta história
toda ele tenha dado esta declaração, em 1977, à TV Cultura:
Pois é, ser vascaíno é mesmo um
orgulho.
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