Completo, em agosto, 23 anos de formado em jornalismo. Desde um ano antes, milito neste front. Excetuando-se televisão, já fiz quase tudo o que pode ser feito em termos de jornalismo e comunicação. Fui repórter de rádio, jornal e veículos corporativos. Fui dono do empresa de comunicação. Fui assessor de imprensa de empresas e entidades empresariais. Fui editor de jornal. Editei quase tudo: esporte, política, economia, mercados, cidades, cadernos temáticos. Comandei a redação de três jornais. Fundei dois jornais que são campeões de circulação. Fundei um portal de notícias. Trabalhei no Rio, em Minas e em Brasília. Hoje, sou diretor de comunicação em uma organização empresarial.Ou seja, experiência eu tenho de sobra.
Por tudo isso, posso dizer, sem medo de errar, que o jornalismo e a comunicação estão em agonia.
Não é o jornal impresso. É o jornalismo em si. A atividade, assim como a comunicação. E não é por causa da internet, nem das redes sociais. Nada disso eu vejo como ameaça.
São dois os motivo que fazem o jornalismo e a comunicação agonizarem: a importância exagerada que se dá aos palpiteiros e a falta de qualificação deles.
O tema não é novo e assola a vida de todo mundo que trabalha neste mercado, mas parece que, nos últimos tempos, a coisa piorou acentuadamente. Sempre tem um "sábio", que jamais militou no mercado de comunicação, para aconselhar e sugerir caminhos, linha editoriais e prioridades a quem tem décadas de vida neste negócio, a empresas estabelecidas e com capacidade comprovada e a profissionais que estudaram e trabalham com rigor e afinco, todos os dias, para comunicar.
Todo mundo que trabalha em comunicação vive isso. Eu não sou imune, ao contrário. O problema é que, nos tempos atuais, com o advento da internet, tem gente que sabe mais que você, que estuda e trabalha neste negócio há quase 30 anos - ou mais, dependendo da idade do profissional. Basta surfar bem nos programas, conhecer meandros de como se faz uma postagem ou a upagem de um blog e mexer na maldita (e incorreta) Wikipédia e, pronto, lá vem um mané sugerir absurdos, como se conhecesse mais que você, que deu a vida, parte das úlceras e dos cabelos por esta atividade.
Pergunte a quem milita nisso se a palpitada não cresceu... E se, o que é pior, não passaram a ouvir mais... Pois é, hoje, para entender de comunicação, parece que basta ter uns 19 anos e possuir conta na trinca Facebook-Instagram-Twitter que está tudo certo. Lá vem o sábio te aconselhar, palpitar e pedir a inversão das prioridades. Construção de imagem? Tempo de maturação? Linha editorial? Bobagem. O geniozinho com acne sabe mais do que você.
O que deixa qualquer um que milite na área irritado é o fato de a comunicação ser coisa muito séria, mas sempre encarada como menor.
Pagar por uma ilustração?
Você faz isso naqueles programas.
Pagar um diagramador?
Hoje qualquer um usa um InDesign.
Contratar um fotógrafo?
Por favor, use seu iPhone.
O pior é que essas teses absurdas vão encontrando ressonância. Recentemente, o Chicago Sun Times extinguiu sua editoria de fotografia, demitindo 28 profissionais, e mandando seus repórteres tirarem foto de iPhone. Não lembra? Duvida? Link aí, ó...
http://g1.globo.com/economia/midia-e-marketing/noticia/2013/06/fotografos-do-chicago-sun-times-protestam-contra-demissoes.html
E se em redação a coisa está assim, nem imaginem como anda no mundo corporativo. É uma improvisação só. Bagunça mesmo. As mais organizadinhas têm suas assessorias e agências de publicidade. Viva elas! Mas, para muitos, isso é "um luxo". Logo, sua comunicação é um lixo.
Domingo pensei seriamente mudar de ramo. Queria uma lotérica num shopping, para me trancar atrás da portinha e esquecer que existe comunicação e jornalismo. Assustei com o preço pedido: R$ 250 mil.
Segunda me assustei mais, ao ouvir certas coisas sobre comunicação. Mas não vem ao caso. Não foge muito do diapasão do que eu narrei acima.
Sinceramente, vou começar a juntar dinheiro para comprar a lotérica. Não que seja uma tarefa menor, ao contrário. É que loteria tem futuro. Todo mundo joga, pois todo mundo quer sair do buraco. Comunicação, não. Todo mundo quer levar ela para o buraco. Vou sair fora enquanto é tempo.
jorge, venho falando isso há algum tempo: preparem seus planos b, com vistas a que eles se tornem planos a, e salve-se quem puder. ou devo dizer quem quiser?
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