segunda-feira, 10 de junho de 2013

Patrocínios oficiais no mundo da bola

Ficar velho é um problema. Você vai vivendo, vendo as coisas, aprendendo algumas, armazenando arquivos em outras e sempre refletindo. Nasci há 48 anos e, portanto, já vivi tempos áureos e sinistros como vascaíno. A fase hoje é dura, mas ser Vasco entre 1960 e 1980 foi tarefa para fortes. Porque, neste tempo todo, só entraram em São Januário dois Cariocas (70 e 77), um Brasileiro (74) e um Rio-São Paulo (66). No Brasileiro, ninguém levava fé e o Rio-SP teve mais três campeões.
Ruim né? Muito.
Nasci nesta época e me forjei vascaíno com a dificuldade. Isso me fez ser crítico, mas torcedor. Primeiro eu torço, mas sempre com um pé no sofrimento. Não confio no time atual, acho que tem grande possibilidades de cair, mas é a última coisa que eu quero. Por isso, quando vejo o jogo, assisto de pé, ao lado da TV. Talvez na esperança de, se a bola sobrar, eu meter na rede. Ou dar um bicão e tirar da grande área.
Por conta da idade, apesar deste amor todo, uma certa moderação me invade. Não posso ser entusiasmado de lá ou de cá. Preciso ser mais neutro. Lições que vêm com os cabelos brancos.
Mas neutro com o quê? Com a questão do patrocínio.
Em primeiro lugar, como manda meu receituário de vida, pensei bem antes de escrever sobre a questão do patrocínio público aos clubes.
Em tese, mas só em tese, ele não deveria existir, embora por mais de duas décadas a camisa do maior rival tenha ostentado um produto de uma empresa de capital aberto, cujo acionista principal era o governo federal. A marca Lubrax (óleo que nunca entrou no motor do meu carro) financiou os times do rival durante anos. Ganhou, perdeu. Ficou ali, enquanto pôde, mas por um motivo em especial: exposição da marca. Se o espaço fosse ruim, mudaria de time. Botafoguense, o Zé Eduardo Dutra queria tirar e pôr no time de coração. Foi derrotado pelos números e calou-se.
A estratégia foi levada para outros países e a Petrobrás patrocinou River Plate, Racing e outros clubes argentinos. Não houve grita.
Ou seja, patrocínio oficial não é novidade, nem foi inventado agora. Isso é antigo. E se repete de muitas maneiras. As prefeituras do interior costumam dar uma grana aos times das cidades que participam de competições, seja para expor a marca, seja para badalar eventos. 
Agora é a Caixa. Já está no Corinthians, no rival, no Coritiba e negocia com o Atlético-PR, Figueirense, Avaí, São Paulo, Cruzeiro e Goiás. Nada mais natural que incluir-se aí o Vasco.
E por que?
Porque o Vasco é um time tradicional, porque sua camisa tem força e porque é interessante para uma instituição financeira que briga por um mercado chamado empréstimo compulsório com o BMG, que expõe sua marca em vários times. Alavancar esta carteira ajuda a limpar a cagada feita na compra do Banco Panamericano. E usar os grandes clubes é uma boa para isso. Perguntem aos economistas e marqueteiros se o que eu estou escrevendo é tolice.
A rigor, o governo não deveria nem ser anunciante. Deveria apenas usar os tributos em prol da sociedade. Mas o governo (instituição) é anunciante. E forte, único até, em muitas praças. Mudar isso é decretar falência de times e órgãos de imprensa país afora. Não há iniciativa privada que aguente a conta de todos os patrocínios de clubes, esportes, eventos e anúncios de rádio, TV, jornal e internet.
Por fim, cabe esclarecer que Banco do Brasil, Caixa, Petrobrás e outras não são "governo". São empresas controladas pelo governo. Disputam mercado. Precisam de clientes que não sejam só conta salário. Devem dar lucro. Algumas precisam remunerar seus acionistas. Investem em esporte para desenvolver o social do País (algo que todos os clubes fizeram por anos, sem nenhuma contrapartida, com suas escolinhas e divisões de base) e rejuvenescer suas marcas. O vôlei deu ao BB uma imagem moderna. Não foi por acaso que ele tirou outros gigantes deste esporte que, quando começou a captar patrocínio, era dividido pelas privadas Atlântica-Boavista, Bradesco e Pirelli.
Por tudo isso, se a Caixa fechar, será muito bem-vinda. E espero que seja uma parceria de anos. 
Pela atenção, obrigado.

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