segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

A história do futebol no Vasco - um returno para esquecer em 1919

A chegada do goleiro Nelson Conceição, o Nélson Chauffeur, vindo do Engenho de Dentro, seria o primeiro passo para um Vasco forte. Embora fosse goleiro apenas de ligas amadoras, ele era, inegavelmente, um atleta e tanto. E o primeiro membro ilustre de uma dinastia que marcou o Vasco: a de grandes arqueiros negros ou mestiços. Nélson foi o primeiro, mas depois dele vieram outros como Barbosa, Jaguaré e Acácio. 

A chegada dele e de bons jogadores da Liga Suburbana davam aos vascaínos da época uma ponta de esperança de ganhar a Segundona em 1919 e, finalmente, poder encarar os jogos com o clubes tradicionais como America, Botafogo e Fluminense, além do recém-chegado Flamengo, nascido do remo como o Vasco, mas que, ao contrário do Gigante das Regatas, só foi vencer o campeonato da modalidade após começar a disputar o Carioca de futebol. Enquanto isso, em 1919, ganhamos o sexto troféu do remo para colocar em nossa sede, na Rua Santa Luzia.

Mas o futebol ainda demoraria mais um tempinho para nos legar o primeiro título. É, apesar dos reforços, o ano seria muito instável em campo. E fora dele também, pois as inscrições de Esquerdinha e Quintanilha foram recusadas, de início, com a dupla só podendo estrear bem depois.

A Segundona teria, em 1919, os mesmos times de 1918, pois o Americano perdeu para o Mangueira, último da primeira divisão, por 2 x 1 e não conseguiu subir. Além deles, o campeão da Terceira, o Esperança FC, foi promovido na vaga do Boqueirão do Passeio, que abandonou o campeonato do ano anterior. A disputa do Torneio Início, uma competição de um dia, com jogos de cinco minutos e decisão da vaga até pelo número de escanteios, deu um alento ao Vasco, que chegou à semifinal, perdendo para o Palmeiras.

Só que a estreia no campeonato não podia ser pior. Desfalcado de Nélson, com Ary Corrêa numa tarde pouco inspirada no gol, o time perdeu por 6 x 5 para o Mackenzie, em 8 de junho. Na rodada seguinte, em 22 de junho, veio a reabilitação, com um expressivo 8 x 2 em cima do Ríver, que abolira o “sobrenome” São Bento. Em 1° de julho, um 4 x 4 com o Rio de Janeiro e o 6 x 1 no Esperança, no dia 20 do mesmo mês, mostraram que o time engrenara. Porém, em 2 de agosto, o Vasco não passou de um empate por 2 x 2 com o Progresso, o que atrapalhou muito. Mas a equipe fez 4 x 3 no Palmeiras, em 10 de agosto, no campo do São Cristóvão, e finalizou o turno com dez pontos, pois o jogo com o Americano só seria realizado em 28 de setembro, quando a bola já rolava no returno.  

Os dois pontos finais vieram graças à desclassificação do Cattete, que tentara se fundir com o Engenho de Dentro e foi sabotado por seus prórpios atletas, insatisfeitos com a chegada dos suburbanos, e por um clube da primeira divisão que alugava o campo ao time. Que clube era? O Flamengo, que, por duas vezes desmarcou jogos e fez com que o time perdesse os pontos e fosse riscado da segundona. 

O WO do Cattete deixou espaço para o Vasco sonhar, embora o campeonato tivesse ficado imprevisível após essa primeira desistência, e iria ficar ainda pior quando o SC Brasil também abandonasse a competição, o que ocorreria mais adiante.


O problema é que o segundo turno do Vasco começou bem e acabou mal. O início foi animador. Primeiro, com a vitória sobre o Brasil por 4 x 0, em 31 de agosto. Depois, outro triunfo, um 2 x 0 sobre o Rio de Janeiro, em 7 de setembro, no campo da Rua Moraes e Silva, que nos daria muitas glórias, anos mais tarde. A seguir, encaramos o Americano, em jogo ainda do primeiro turno, em 28 de setembro, e ficamos no 3 x 3. Por fim, o 2 x 0 em cima do Ríver, na Piedade, em 9 de novembro, deixou o time com chances reais de subir, pois o título estava entre cinco clubes: Palmeiras, Rio de Janeiro, Mackenzie, Americano e Vasco, àquela altura o líder do campeonato.

O que ninguém esperava era perder do Progresso. Em 30 de novembro, na Rua Paysandu, tivemos de engolir um 2 x 1 completamente fora dos planos e que desanimou o time. Nem mesmo o WO do Brasil ajudou, pois, em 7 de dezembro, o Palmeiras bateu o Vasco por 4 x 2, um péssimo resultado, pois envolvia um time que disputava o título. Uma semana depois, outra derrota contra um dos ponteiros do campeonato: Americano 2 x 0, na Rua Campos Sales. Demos adeus ao campeonato nesta sequência.

O time só se reencontrou tarde, em 21 de dezembro, quando venceu o Esperança por 3 x 2. Na última rodada, o time perdeu de novo, desta vez para o Mackenzie por 3 x 2, no campo da Rua Dias da Cruz, fechando em quinto lugar, com 23 pontos, cinco atrás do campeão Palmeiras, quatro atrás do Rio de Janeiro e do Mackenzie e a dois do Americano.

Não fosse a irregularidade do segundo turno, era a hora de ir para a primeira divisão. Não foi daquela vez, mas o primeiro título em campo estava perto. Bem mais do que se imaginaria, como veremos em breve...

Um comentário:

  1. Gostaria de manter contato com vc. estou escrevendo sobre o vasco antes de 1923. Meu email 1jorgemedeiros@gmail.com

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