quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A história do futebol no Vasco - a esperança nasce em 1917

O segundo capítulo da saga vascaína no futebol começa com uma mudança importante. Em 1917, a Liga Metropolitana de Sports Athléticos (LMSA), que mandava na bola, deu lugar à Liga Metropolitana de Desportes Terrestres (LMDT). Esta, recebendo novas inscrições, decidiu reformar as três divisões, colocando dez times na primeira e nove na segunda e terceira. 

Seria uma prévia da virada de mesa? 

Não, na verdade era uma oficialização das viradas de mesa no futebol carioca. 

A primeira, aliás, ocorreu entre 1911 e 1912, e é interessante abrir um parêntese para contá-la, embora não nos envolva. Em 1911, o Fluminense foi campeão carioca invicto, ganhando todos os jogos contra o America, o Rio Cricket e o Paysandu, já que o Botafogo abandonou o torneio da LMSA após duas vitórias e um empate, em protesto contra punições que recebeu, e foi fundar outra liga, a Associação de Football do Rio de Janeiro (AFRJ), pela qual jogou e ganhou o carioca paralelo de 1912. O Bangu, que nada tinha com isso, jogou a segundona carioca de 1911 e venceu o torneio, voltando à elite da LMSA em 1912, depois de seis anos longe. Ocorre que, na virada de 1911 para 1912, parte importante do elenco tricolor, insatisfeita com a reserva, migrou para o Flamengo, onde foi fundado um departamento de esportes terrestres só para acolhe-los. E com privilégio, já que, em 1912, o Campeonato Carioca da principal liga teve Flu, America, Rio Cricket, Paysandu e o promovido Bangu, mais  os intrusos Mangueira, São Cristóvão e Flamengo, numa primeira virada de mesa do futebol carioca.

Assim como a LMSA fez em 1912, a LMDT agiu na virada de 1916 para 1917. No primeiro ano, haviam disputado o torneio as equipes do America (campeão), Andarahy, Bangu, Botafogo, Flamengo, Fluminense e São Cristóvão. A eles se juntaram, em 1917, os times do Mangueira, do Carioca e o Vila Isabel, na tal reestruturação das divisões.

Assim, sobraram na Segunda Divisão, apenas o Boqueirão do Passeio, o Catete, o Palmeiras e o Progresso (que se fundiu com o Parc Royal, da terceira) e os times sobreviventes da Terceira Divisão foram todos realocados na segunda: o campeão Brasil, o vice Icarahy, Paladino, Ríver (renomeado como Ríver-São Bento) e Vasco. Na terceira ficaram os novos inscritos, vindos de ligas menores e suburbanas: Americano (que não era o de Campos), SC Brasileiro, Esperança, Everest, Helênico, Mackenzie, Rio de Janeiro, Smart e Tijuca.

A promoção inesperada à Segunda Divisão não foi encarada como algo positivo para o clube, mas o Vasco decidiu topar o desafio, jogando agora no campo do Fluminense, nas Laranjeiras. A estreia, contudo, foi no campo da Rua Dr. March, em Niterói, e com vitória. Em 27 de maio de 1917, o Vasco bateu o Icarahy por 4 x 2. O segundo jogo foi contra o SC Brasil, campeão da Terceirona de 1916, e deu empate por 2 x 2, no dia 3 de junho, nas Laranjeiras. Uma semana depois, foi a vez de exorcizar o fantasma do Paladino, algoz do primeiro jogo. Vasco 2 x 0 e um começo interessante na Segunda Divisão.

Mas o que era bom durou pouco e, em 8 de julho, o Vasco perderia para o forte Cattete por 5 x 3. No dia 22, nova derrota, por 4 x 1, para o Palmeiras, no campo do São Cristóvão. No dia 5 de agosto, a reabilitação, ao vencer o Progresso por 5 x 2, na Rua Itapiru, no Rio Comprido.  E na reta final do turno, mais duas vitórias: 3 x 0 no Boqueirão do Passeio, em 2 de setembro; e 1 x 0 no Ríver-São Bento, uma semana depois.

O time fechava o turno com 11 pontos, nas primeiras posições e iria encostar um pouco mais com os 6 x 1 aplicados no Brasil, em 16 de setembro. Mas a ducha de água fria viria em 16 de outubro, no campo do Jardim Botânico, com os 6 x 0 impostos pelo Cattete, jogo que ficou marcado, vejam só, pela troca de bengaladas entre os engravatados que assistiram à partida. Os tempos eram outros, mas os brigões já existiam. Na sequência, novo encontro, com vitória, frente ao Paladino: 1 x 0, em 11 de novembro.

O problema foi a sequência final de jogos. A goleada aplicada pelo Progresso, por 6 x 1, em 2 de dezembro, e o empate em 1 x 1 com o Ríver-São Bento, com o time com apenas 10 em campo, tiraram todas as chances de título e de promoção à elite. A vitória por 3 x 2 sobre o Boqueirão do Passeio, em 23 de dezembro, e a goleada por 5 x 1 sobre o vice-campeão Palmeiras, em um inacreditável dia 30 de dezembro (o último jogo do torneio foi disputado em 1° de janeiro do ano seguinte) pouco adiantaram. O Vasco fechou a segundona de 1917 em quarto lugar, com 21 pontos, dois atrás de Progresso e Palmeiras e distante sete do campeão Cattete. 

Mas uma vingancinha nós iríamos saborear. O Icarahy, depois de não comparecer a dois jogos, foi desfiliado e teria de recomeçar na terceira divisão no ano seguinte. Coube, então, ao Paladino, o algoz de nossa estreia nos campos, o último posto da segundona e, com isso, ele teria de enfrentar os três primeiros da terceira, para saber se iria permanecer ou não. Perdeu de 4 x 0 para o campeão Americano, por 6 x 1 para o terceiro colocado, o Rio de Janeiro, e por... 10 x 1 para o vice Mackenzie, sendo rebaixado para a terceira, mesmo tendo inaugurado um campo na Piedade, que mais tarde seria do Ríver.

O que importava é que o nosso time já havia melhorado. Lanterna, nunca mais. O problema era subir. E ia demorar para resolver...

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