O bom desempenho do Vasco no Campeonato Carioca da segunda divisão de 1917 deu
esperanças para uma boa campanha no ano seguinte. Depois de ver o America alugar seu campo para o Americano, o clube fechou uma parceria com Baltar Junior, vascaíno que presidia o São Cristóvão, da primeira divisão, e foi mandar seus jogos no
campo da Rua Figueira de Mello, que sobrevive até hoje no mesmo endereço e pode ser avistado do viaduto da Linha Vermelha. Nesta época, a sede vascaína ficava na Rua
Santa Luzia, no centro da cidade. E a cada ano era imensa a peregrinação atrás
de um campo oficial, já que o número de adeptos do Vasco crescia a olhos vistos.
O Cattete, campeão da segundona em 1917, não conseguiu a
promoção, ao perder a disputa com o Vila Isabel, lanterna da primeira divisão, por 5 x 0. Afinal, não bastava ganhar dos adversários de divisão. Era preciso também superar o lanterna da primeirona, naquela época. Assim, a Segundona de 1918 alinhou Vasco, Cattete, Progresso, Palmeiras, Brasil e
Ríver-São Bento, disputantes em 1917, e os promovidos Rio de Janeiro, Mackenzie
e Americano (time do Engenho de Dentro, que nada tem a ver com o de Campos). Os três novatos ocuparam as vagas de Boqueirão do Passeio, que desistiu do futebol, e dos rebaixados Icarahy e Paladino.
Os egressos da terceira divisão, contudo, eram times fortes, que estavam naquela série somente devido à reorganização do futebol carioca, na sua segunda virada de mesa. Desta maneira, a vida do Vasco na nova segundona não foi fácil em 1918. Já na estreia, em 13 de maio, o 11 formado por Luiz Dias Martins, Jayme Fernandes Guedes, Carlos Cruz, Alberto da Costa, Eudino Wubert e Adão Antônio Brandão; Antônio Silva, Salvador Mazzeu, Julio Kunger, Álvaro Sá Reis e Rafael Guerreiro perdeu por 3 x 2 para o Rio de Janeiro, o que mostrou que o caminho a ser trilhado era rigoroso. No segundo jogo, mesmo desfalcado de Jayme Fernandes Guedes substituído pelo irmão Fernando, vitória por 3 x 2 sobre o forte Americano, em 19 de maio, no estádio da Rua Campos Salles, local do Shopping Iguatemi do Rio de Janeiro. Jayme seria nosso presidente em 1945 e, naquele mesmo ano de 1918, foi eleito segundo secretário, afastando-se do futebol.
Como era praxe desde que chegou ao futebol, o time do Vasco já alinhava brancos, negros e mulatos, sendo um deles, o médio Benedito Palhares, titular naquele encontro. A foto ao lado, da revista semanal Fon-Fon, é uma das várias imagens do jogo contra o Americano. Hoje, é um documento histórico que mostra que, ao contrário de outros times, o Vasco daquela época já era miscigenado.
Os egressos da terceira divisão, contudo, eram times fortes, que estavam naquela série somente devido à reorganização do futebol carioca, na sua segunda virada de mesa. Desta maneira, a vida do Vasco na nova segundona não foi fácil em 1918. Já na estreia, em 13 de maio, o 11 formado por Luiz Dias Martins, Jayme Fernandes Guedes, Carlos Cruz, Alberto da Costa, Eudino Wubert e Adão Antônio Brandão; Antônio Silva, Salvador Mazzeu, Julio Kunger, Álvaro Sá Reis e Rafael Guerreiro perdeu por 3 x 2 para o Rio de Janeiro, o que mostrou que o caminho a ser trilhado era rigoroso. No segundo jogo, mesmo desfalcado de Jayme Fernandes Guedes substituído pelo irmão Fernando, vitória por 3 x 2 sobre o forte Americano, em 19 de maio, no estádio da Rua Campos Salles, local do Shopping Iguatemi do Rio de Janeiro. Jayme seria nosso presidente em 1945 e, naquele mesmo ano de 1918, foi eleito segundo secretário, afastando-se do futebol.
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Mas a mistura racial que iria incendiar o futebol carioca em poucos anos ainda não era suficiente para que tivéssemos um grande time. Assim, diante do Palmeiras, em 2 de junho, perdemos por 5 x 0. Uma semana depois, Cattete 2 x 1. A vitória por 2 x 0 sobre o Ríver-São Bento, em 23 de junho, e os 4 x 3 sobre o Brasil, duas semanas depois, deram a impressão de uma reação, que logo foi apagada com a derrota de 3 x 2 para o Progresso, em 14 de julho. A vitória por 2 x 1 sobre o Mackenzie, vice-campeão da terceirona, deixou o time com um ânimo novo para o returno. O time, porém, perderia os pontos da partida, por escalar o ponta-esquerda Antonio da Costa Faria irregularmente. Na época, os diretores Antonino Costa e Antonio da Costa Fonseca acabaram afastados pelo erro, tendo sido substituídos por Albertino Moreira Dias e Pascoal Pontes. Mais tarde, Jayme Fernandes Guedes iria integrar esta comissão também.
A estreia no returno seria decepcionante: Americano 5 x 1. Na sequência, uma série de cinco vitórias: em
15 de setembro, 4 x 3 no Palmeiras; 5 x 3 no Progresso, em 29 de setembro;
outros 5 x 3 no Brasil, em 6 de outubro; 3 x 2 sobre o Cattete, no dia 12 de
outubro; e 5 x 2 no Ríver-São Bento, em 15 de dezembro.
Faltavam dois jogos e, com 18
pontos, o Vasco não tinha mais condições de ser campeão. Assim, as derrotas para
o Rio de Janeiro (3 x 0) e para o Mackenzie (6 x 0) alertaram para dois
problemas: falta de jogadores mais experientes e de um campo para treinos.
Mesmo assim, o time encerrou o ano na terceira posição, empatado com o Palmeiras, onze pontos atrás do
campeão Americano e com seis a menos que o vice Mackenzie.
Por isso, para o campeonato de 1919, ano em que a seleção brasileira conquistaria o primeiro título sul-americano, o Vasco procurou reforços nos campos de subúrbio, mais precisamente nas ligas amadoras, ampliando ainda mais o time multirracial e multissocial que faria história no começo da década seguinte. Do Engenho de Dentro vieram o ponta Aquiles Pederneiras; o goleiro Nelson Conceição, o Nélson Chauffeur (foto acima); o médio Arnaldo Quintanilha; e o atacante Aristides Batista, o Esquerdinha. Do time da Fábrica Mavilles, Augusto Alves, o Leão, que atuara pelo Andarahy, da primeira divisão, em 1917. O time ficou mais encorpado e iria para o Carioca de 1919 com outro brilho.
Por isso, para o campeonato de 1919, ano em que a seleção brasileira conquistaria o primeiro título sul-americano, o Vasco procurou reforços nos campos de subúrbio, mais precisamente nas ligas amadoras, ampliando ainda mais o time multirracial e multissocial que faria história no começo da década seguinte. Do Engenho de Dentro vieram o ponta Aquiles Pederneiras; o goleiro Nelson Conceição, o Nélson Chauffeur (foto acima); o médio Arnaldo Quintanilha; e o atacante Aristides Batista, o Esquerdinha. Do time da Fábrica Mavilles, Augusto Alves, o Leão, que atuara pelo Andarahy, da primeira divisão, em 1917. O time ficou mais encorpado e iria para o Carioca de 1919 com outro brilho.
Mas isso é história para outro dia...


Parabéns pela pesquisa, Jorge!
ResponderExcluirObrigado, Glauco!
ResponderExcluirConheci seu blog hoje (17 01 2017. Achei bem interessante
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