segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

De volta ao blog

Amigos e amigas,
Depois de um tempo afastado das letras, decidindo meu destino após uma aventura sem pé nem cabeça, volto ao blog. Agora empregado no gabinete do senador Gim Argello, peço licença para deixar a política um pouco de lado, centrando as conversas deste espaço mais na bola e na religião. Pouco vou escrever sobre política, para não falar demais e nem de menos.
Vocês entendem meu lado profissional, não?
Pois bem, depois das aventuras mineiras e dos dias de incerteza (deixar de ser PJ para me converter em servidor comissionado foi um parto que será tema de um post quando tudo estiver 100%), a bola volta a rolar neste blog.
E volta a rolar graças ao final do ano passado. Resolvi dar uma passeada com a Andreia no Rio Sul, no período em que estivemos no Rio de Janeiro, de recesso. Lá descobri uma loja da Liga Retrô, pessoal que pesquisa e recria camisas históricas, a exemplo do que faz a tradicional Toffs, de Londres (o dia que eu for na Toffs vai ser um estrago).
Pois bem, estava eu lá flanando no shopping quando dei de cara com a loja da Liga Retrô. E nela camisas iradas. Comprei quatro: Alemanha Ocidental, Alemanha Oriental, New York Cosmos e Zaïre.
Como vêem, a Copa de 1974 dominou as compras. Pura verdade.
Aquela Copa foi um marco para mim. A primeira que assisti de verdade. Vi todos os jogos. Todos. Moleque de 9 anos, mas já sacando alguma coisa do esporte bretão.
Assim, me deu vontade de escrever um pouco sobre esta Copa, em especial sobre os três times. Começo pelo mais insólito: o Zaïre.
Nunca tinha ouvido falar daquele país africano quando ele caiu no grupo do Brasil na Copa. Mas iria aprender mais geografia e política a partir daquele evento. O Zaïre, para quem não lembra, era o antigo Congo, hoje a República Democrática do Congo.

Na época, a primeira pesquisa me fez descobrir a bandeira, predominantemente verde com um braço segurando uma tocha. Achei a bandeira legal... Mais legal ainda foi comprar o álbum de figurinhas. Não lembro se o completei. A internet me deu uma mão para achar o álbum já fechadinho, com a única página voltada aos zairenses com todos os cromos (que, na época, não eram autocolantes. A gente tinha de usar cola ou grude mesmo).




Mas vamos falar um pouco dessa turma animada. Para chegar à Copa de 1974 como a primeira seleção da África negra a se qualificar, o Zaïre teve de eliminar um monte de gente. Para começar, o Togo, com um empate em 0 x 0 fora de casa e uma goleada de 4 x 0 em casa. Na segunda fase, quem rodou foi Camarões. Os zairenses venceram fora de casa por 1 x 0, mas vacilaram em Kinshasa e os camaroneses devolveram o placar. No jogo-desempate, vitória do Zaïre por 2 x 0 e nova classificação.
Na terceira fase, dois jogos contra Gana. Derrota fora por 1 x 0 e vitória em casa por 4 x 1. Faltava passar pelo triangular final para ir em frente. E aí o Zaïre, que era campeão da Copa da África, deu um passeio. Venceu a Zâmbia fora por 2 x 0 e, em casa, fez 2 x 1, além de bater o Marrocos, que fora à Copa de 1970, por 3 x 0. Com a vaga na mão, nem foi preciso fechar a tabela. Os marroquinos desistiram da última partida, e para a história ficou valendo o 2 x 0 clássico dos WOs. O Zaïre ia à Copa.
Classificados, os zairenses ouviram promessas de casas e automóveis do ditador Mobuto Sese Seko, mas quando a bola rolou diante das seleções de primeiro escalão, tudo mudou. Na estreia, contra a Escócia de Dalglish (astro do Celtic e mais tarde do Liverpool) e Billy Bremner (o violento volante do Leeds United), os zairenses mostraram toda a sua fragilidade e perderam por 2 x 0, com direito a um frangaço de Kazadi (o vídeo com os melhores momentos está postado logo abaixo). Mas até que tiveram seus momentos...



A partida seguinte, contra a boa seleção da Iugoslávia, foi um massacre. Nada menos que 9 x 0. Veja gols e melhores momentos no vídeo.



Pois bem, como a seleção brasileira morria de medo de vencer, naquela Copa, precisávamos ganhar do Zaïre pelo menos por 3 x 0. Isso porque ficamos no 0 x 0 com escoceses e iugoslavos e estávamos, na última rodada, fora da segunda fase da Copa, com apenas dois pontos, contra três das outras seleções (naquela época, a vitória valia apenas dois pontos). Para passar sem susto, precisávamos vencer por três gols. Foi o que fizemos.
O 3 x 0 ficou marcado não pelos gols de Jairzinho e Rivellino, mas principalmente pelo de Valdomiro, em outro frangaço de Kazadi, e pelo lance insólito de Mwepu, que numa cobrança de falta em favor do Brasil correu para a bola e isolou-a, para depois receber o cartão amarelo, num lance que sintetizou o que era o time do Zaïre.
Anos depois, Mwepu, em entrevista à revista inglesa Four-Four-Two, disse que a turma zairense estava em guerra com o treinador Vidinic e pressionada após a goleada de 9 x 0 para os iugoslavos. Afirmou que, se perdessem de 4 x 0 do Brasil, as vidas de todos estariam em perigo. Revelou ainda que todos os prêmios dados foram confiscados e que eles tiveram de sobreviver a duras penas, entre chacotas e ameaças, só recuperando a dignidade recentemente, quando foram reconhecidos como pioneiros do esporte. Pode ser. Mas que era um time primário, ah, lá isso era.




Brasil 3
Leão, Nelinho, Luís Pereira, Marinho Peres e Marinho Chagas; Piazza (Mirandinha), Capeggiani e Rivellino; Jairzinho, Leivinha (Valdomiro) e Edu
Técnico: Zagallo

Zaïre 0
Kazadi, Mwepu, Mukombo, Bwanga e Lobilo; Tshimabu (Kilasu), Mana, Kidumu (Ubá Kembo) e Maku Mayanga; Kibonge e Ntumba
Técnico: Blagoje Vidinic

Local: Waldstadion, em Frankfurt. Data: 22 de junho de 1974. Árbritro: Nicolae Rainea (Romênia). Gols: Jairzinho, no primeiro tempo, e Rivellino e Valdomiro, no segundo.

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