Zico, Adílio, Dida e Zizinho, no Flamengo.
Barbosa, Augusto, Alfredo II, Jorge, Eli do Amparo, Maneca e Friaça no Vasco.
No Fluminense, Telê Santana, Pinheiro.
No Botafogo, Nilton Santos.
No América, Pompéia, Edu.
Uma legião de apaixonados que, por vezes, ia jogar em outro clube, ou aparecia em outro time, mas na primeira oportunidade vestia o manto preferido. Ou então que não sossegava enquanto não jogasse no clube do coração. Caso de Gilson Nunes, vascaíno desde menino, que só foi atuar pelo clube no final doa anos 1960 e que ajudou a quebrar um jejum de 12 anos sem título. Ficou tão feliz com o carioca de 1970 que pagou uma inusitada promessa: após o título, saiu do Maracanã uniformizado (calção, meião, chuteiras e camisa) e foi andando a pé até sua casa. Logo ele, escolado, campeão carioca em 1964 pelo Fluminense e ex-jogador do América. Mas, acima de tudo, vascaíno.
A história chegou aos ouvidos de Cyro Aranha, maior presidente da história do Vasco, contada pelo seu colega rubro-negro. Eram tempos de dirigentes dignos.
Cyro Aranha chamou Alfredo II de volta. Foi campeão naquele ano, convocado para a seleção de 1950, fez gol na Copa, contra a Suíça, e ainda ganhou títulos até 1956, quando deixou o futebol e virou sócio remido. Jogou de lateral, zagueiro, centromédio (hoje volante), ponta-direita e até de goleiro.
Mas não eram apenas os jogadores que tinham amor ao clube. Eram tempos de dirigentes apaixonados, capazes de loucuras pelo cxlube. Como Antonio Campos, presidente do Vasco em 1923. Veja este trecho do livro "O negro no futebol brasileiro", do imortal jornalista Mário Filho, que conta a sua trajetória, numa bela lembrança do blog Bola de Meia.
"Quando um clube dava para vencer, o cartola era capaz até de abrir falência. O caso de Antonio Campos, presidente do Vasco de 23, que quase quebrou. Não quebrou porque ainda tinha um terreno, na Rua Henrique Valadares, para vender, porque ainda tinha uma casa na Rua Tavares Bastos, nº 266, para hipotecar.
Vendeu o terreno, hipotecou a casa, passou adiante o contrato da loja da Avenida Rio Branco, 177, fechou a Casa Campos, teve de começar de novo, trabalhando como empregado do irmão Raul Campos, para viver. O Vasco de vitória em vitória, 'bicho' para os jogadores.
E Antonio Campos, apesar de tudo, só sentiu uma coisa: não ter mais dinheiro para ajudar o Vasco. Ele nem ia mais à Tribuna de Honra. Deixara de ser um cartola, parecia até que nunca fora um cartola. Perdia-se no meio da multidão, para torcer à vontade. Como em tempos idos em que chorava depois de uma vitória".
Em tempo: Antonio Campos deu ao Vasco seu primeiro título carioca, em 1923, que custou a Casa Campos, como conta Mário Filho no texto acima. Voltou a ser presidente vascaíno em 1939. E seu irmão Raul foi em 1915 e 1926. Só não foi em 1923 por que não aceitou a indicação ao cargo. Manteve o patrimônio, mas perdeu a chance de ser o primeiro presidente campeão do Vasco.
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