Por questões profissionais, não devia mais dar pitaco em política neste blog. Mas não resisti. Quem me conhece sabe que não votei em ninguém na eleição passada, até por estar a 800 quilômetros do meu domicílio eleitoral. Mais: meus amigos sabem que sou contra a condução do PT no Governo Federal, por copiar e aprimorar as práticas políticas mais baixas que outros partidos criaram, especialmente o PMDB. Me considero um cidadão de centro-direita, pois sou contra a liberação de drogas, a legalização do aborto e outras aberrações pregadas pela extrema esquerda porralouca que ameaça tomar conta do País. Há quem me chame de neoliberal e direitão. Pode ser. Mas é bom lembrar que, se tenho posições fechadas nestes temas, sou a favor do casamento civil entre homossexuais (o religioso deixo a critério de cada religião ou seita, que são livres para estabelecer seus códigos canônicos da porta para dentro de seus templos) e sou contra a pena de morte, dispositivo muito aceito e usado pelos comunas em locais como Cuba (que conheço de perto), União Soviética e Romênia, para ficar por aqui.
Jamais votaria na Dilma para presidente. É bom esclarecer que também não daria meu voto ao Serra – aliás, nunca votei nele, pois até 2002 acreditava no Lula, mas bastaram quatro anos de governo para que eu desacreditasse e, em 2006, desse meu voto a Cristovam Buarque no primeiro turno e anulasse no segundo, pois nem Lula ou Geraldo Alckmin merecia meu voto. Em 2010, talvez votasse na Marina.
Esta rejeição a Dilma não quer dizer que eu terei uma postura de absoluta antipatia e oposição sistemática a seu governo. Se ela mantiver o Congresso como Lula manteve, serei contra. Se agir como FHC, também serei contra. Se conseguir negociar com os parlamentares em termos racionais, sem apelar para mensalões e outras abjeções, mas apenas pelo bem do Brasil, posso até pensar em dar meu voto a ela em 2014.
Dilma, neste momento, está em “estágio probatório” em relação a meu voto.
Desta forma, começo a aplaudir seu governo após a entrevista do chanceler Antônio Patriota à revista Veja. Publicada neste último domingo, ela reitera a posição de Dilma, que fez críticas no ano passado, após ganhar as eleições, às ações discriminatórias do regime iraniano em relação às mulheres. Na época, já tinha simpatizado com a classificação de “prática medieval” para o apedrejamento de mulheres – por favor, não me classifiquem essa atitude despudoradamente machista e aviltante do regime iraniano como cultura, sob pena de eu achar que estou falando com um idiota.
Agora, o chanceler Patriota (nome adequado para um chanceler) indica que haverá uma revisão no que tange às relações com o Irã, país governado por uma horda de fanáticos religiosos absolutamente irracionais, machistas e perigosos. Espero, porém, que esta mudança de posicionamento atinja ainda outros pontos, como condenação às bobagens proferidas pelo presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, a maior delas a negação do holocausto contra os judeus durante a Segunda Guerra Mundial.
Foi bom ver o presidente iraniano ligando para o embaixador brasileiro para reclamar da posição de nossa presidente (e não presidenta) após a entrevista que ela deu ao Washington Post em novembro do ano passado. Mas vai ser melhor se ela mantiver distância de lunáticos como Ahmadinejad, coisa que Lula não teve a capacidade de fazer. Graças ao seu efeito teflon, que permite que nada grude nele, foi possível a Lula ter boa convivência com gente tão diferente como Sarkozy, Obama, Ahmadinejad e Chávez. Ao que tudo indica, Dilma sacou que essa não é a praia dela e que, portanto, será preciso ter uma boa política externa e posições claras para ser boa presidente.
Marcou seu primeiro ponto comigo.
Agora espero outros.
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