quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O primeiro gol do Governo

Por questões profissionais, não devia mais dar pitaco em política neste blog. Mas não resisti. Quem me conhece sabe que não votei em ninguém na eleição passada, até por estar a 800 quilômetros do meu domicílio eleitoral. Mais: meus amigos sabem que sou contra a condução do PT no Governo Federal, por copiar e aprimorar as práticas políticas mais baixas que outros partidos criaram, especialmente o PMDB. Me considero um cidadão de centro-direita, pois sou contra a liberação de drogas, a legalização do aborto e outras aberrações pregadas pela extrema esquerda porralouca que ameaça tomar conta do País.  Há quem me chame de neoliberal e direitão. Pode ser. Mas é bom lembrar que, se tenho posições fechadas nestes temas, sou a favor do casamento civil entre homossexuais (o religioso deixo a critério de cada religião ou seita, que são livres para estabelecer seus códigos canônicos da porta para dentro de seus templos) e sou contra a pena de morte, dispositivo muito aceito e usado pelos comunas em locais como Cuba (que conheço de perto), União Soviética e Romênia, para ficar por aqui.
Jamais votaria na Dilma para presidente. É bom esclarecer que também não daria meu voto ao Serra – aliás, nunca votei nele, pois até 2002 acreditava no Lula, mas bastaram quatro anos de governo para que eu desacreditasse e, em 2006, desse meu voto a Cristovam Buarque no primeiro turno e anulasse no segundo, pois nem Lula ou Geraldo Alckmin merecia meu voto. Em 2010, talvez votasse na Marina.
Esta rejeição a Dilma não quer dizer que eu terei uma postura de absoluta antipatia e oposição sistemática a seu governo. Se ela mantiver o Congresso como Lula manteve, serei contra. Se agir como FHC, também serei contra. Se conseguir negociar com os parlamentares em termos racionais, sem apelar para mensalões e outras abjeções, mas apenas pelo bem do Brasil, posso até pensar em dar meu voto a ela em 2014.
Dilma, neste momento, está em “estágio probatório” em relação a meu voto.
Desta forma, começo a aplaudir seu governo após a entrevista do chanceler Antônio Patriota à revista Veja. Publicada neste último domingo, ela reitera a posição de Dilma, que fez críticas no ano passado, após ganhar as eleições, às ações discriminatórias do regime iraniano em relação às mulheres. Na época, já tinha simpatizado com a classificação de “prática medieval” para o apedrejamento de mulheres – por favor, não me classifiquem essa atitude despudoradamente machista e aviltante do regime iraniano como cultura, sob pena de eu achar que estou falando com um idiota.
Agora, o chanceler Patriota (nome adequado para um chanceler) indica que haverá uma revisão no que tange às relações com o Irã, país governado por uma horda de fanáticos religiosos absolutamente irracionais, machistas e perigosos. Espero, porém, que esta mudança de posicionamento atinja ainda outros pontos, como condenação às bobagens proferidas pelo presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, a maior delas a negação do holocausto contra os judeus durante a Segunda Guerra Mundial.
Foi bom ver o presidente iraniano ligando para o embaixador brasileiro para reclamar da posição de nossa presidente (e não presidenta) após a entrevista que ela deu ao Washington Post em novembro do ano passado. Mas vai ser melhor se ela mantiver distância de lunáticos como Ahmadinejad, coisa que Lula não teve a capacidade de fazer. Graças ao seu efeito teflon, que permite que nada grude nele, foi possível a Lula ter boa convivência com gente tão diferente como Sarkozy, Obama, Ahmadinejad e Chávez. Ao que tudo indica, Dilma sacou que essa não é a praia dela e que, portanto, será preciso ter uma boa política externa e posições claras para ser boa presidente.
Marcou seu primeiro ponto comigo.
Agora espero outros.

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