quarta-feira, 20 de junho de 2012

A direita e a esquerda. Juntas.

Dois dias depois da bomba atômica, o mundo junta seus cacos. A tragédia nuclear não foi nas Coreias, não foi na China, na Rússia ou nos Estados Unidos, mas sim na política brasileira. Deu-se quando Lula, o maior representante da esquerda nacional, o primeiro presidente socialista, o inventor do maior programa de distribuição de renda do Cone Sul, foi apertar a mão e selar um acordo com Paulo Salim Maluf, o prefeito mais corrupto da história de São Paulo, que fez um ladrão como sucessor, que era um filhote da ditadura militar, que é procurado pela Interpol por crime de sonegação no Brasil.
A grita foi grande, da direita.
Pessoal que apoia o PSDB caiu de pau no Lula esquecendo-se que, em seu passado, Maluf andou prestando apoio. Poucos se lembram de 1998, quando Maluf apoiou FHC contra Lula. Mas não teve foto. Parece que FHC era mais esperto. Sabia que aparecer ao lado de um ladravaz como Maluf queimava o filme, mesmo nos tempos em que a internet era um pálido esboço do que é hoje.
Mas agora o Maluf exigiu foto. E foto sorridente, cheia de abraços e apertos de mão. E exigiu para debochar, para escarnecer, para se divertir. Por que o Maluf é o Maluf, capaz de olhar um documento com sua assinatura e dizer que a assinatura era dele, mas o dinheiro não.
O problema é que Lula e Haddad toparam a foto com este cidadão por dois minutos na TV. Pagaram o preço moderno. FHC pagou o preço discreto, o de abrigar os ratos que sempre acompanharam o Ali Babá da política paulista.
Se a grita da direita foi imensa, a defesa da esquerda foi exaltada.
Ricardo Noblat, por exemplo, foi acusado de ser de direita por criticar a aliança. Oi? Como é que é? Noblat de direita? 
Me poupe...
A bem da verdade, não foi Noblat quem disse isso, em 28 de junho de 1984.


"O símbolo da pouca-vergonha nacional está dizendo que quer ser presidente. Daremos a nossa própria vida para impedir que Paulo Maluf seja presidente"

Naqueles tempos, Lula achava Maluf um símbolo da pouca-vergonha. Agora crê que é um aliado. Mudou o Noblat? Não, quem mudou foi o Lula.
Na mesma toada, também não foi o Noblat ou o Ricardo Boechat quem disse isso aqui, em 1° de março de 1993:

"Ave de rapina é o Lula, que não trabalha há 15 anos e não explica como vive"

Essa é do Maluf. Mas este não se importa com nada. Maluf é Maluf.

A arte da política explica muita coisa. Ouvi ontem de um político a seguinte frase: "Lula está certo. Faz aliança agora com o Maluf. Depois de o Haddad eleito, a coisa é outra". Ah, então é isso. Morreu o fio de bigode. O que vale é vender, e não entregar.
Sei não, mas conhecendo o Maluf, eu não confiaria nesta hipótese. Maluf, o homem com prisão expedida nos EUA por roubar no Brasil, jamais toparia uma foto destas sem ter nas mãos tudo aquilo que sempre o fez uma pessoa feliz: cargos, dinheiro, prestígio. Não dá ponto sem nó.
Petistas e simpatizantes podem acreditar que é apenas um acordo, sem troca de cargos ou dinheiro. Sou velho demais para entrar numa dessas. Maluf jamais toparia uma aliança no amor. E Lula entendeu direitinho como as coisas funcionam.

Na ampla aliança de Lula, sempre cabe mais um.
É só usar Rexona. E ter voz gutural.
No frigir dos ovos, quem se estrumbicou foi o povo brasileiro. Perdeu a referência de bem e mal. Hoje eles apertam a mão não pela paz, mas por que são, no fundo, iguaizinhos: nem bem, nem mal, apenas oportunistas e políticos.

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