segunda-feira, 11 de junho de 2012

O problema do Agnelo não é o Cachoeira

"Papai do céu, me ajude a falar direitinho"
Semana passada eu falei que o pior problema para o Agnelo não era o Carlinhos Cachoeira. Em que pese haver mais de 70 gravações entre secretários dele no GDF e homens ligados ao mafioso megalobista (me recuso a reduzir o papel de Cachoeira à expressão "bicheiro", que limita o desenho do que ele realmente representa na vida política brasileira), ali não há ainda provas evidentes contra o homem que ocupa o Buriti (sem governar) desde 1° de janeiro de 2011. 
Os problemas de Agnelo são outros.
O primeiro é não poder mandar o competente Ugo Braga para depor em seu lugar. Por que Ugo transmite a segurança que falta a Agnelo. Competente e sério, o porta-voz tem salvado a pele do chefe. Não gagueja, não titubeia, é calmo e cordato, mas endurece quando preciso. Mas não pode depor por que é apenas o porta-voz, e não o acusado. Ugo não malversou nada. Não é acusado de ligações perigosas. Ugo é, apenas, um jornalista a serviço do governo. E um jornalista dos bons. 

Ugo é muito diferente do governador. 
Agnelo, quando fala, é um desastre. Atrapalha-se com as palavras. Tropeça nos fatos. Gagueja. Desmente-se. Produz contra si mais suspeitas toda vez que abre a boca. Em suma: Agnelo ajuda qualquer acusador, por sua postura. 
Curioso: quando nada pairava sob sua cabeça, Agnelo era outro sujeito. Passava credibilidade. Era até convincente. Mudou muito. Por que será?
O segundo problema de Agnelo, como eu disse aqui na semana passada, não é sua relação com Cachoeira. É sua passagem pela direção da Anvisa. Relembrei o caso da M. Brasil, até hoje sem uma explicação convincente. 
Hoje o Estadão rasga mais com Agnelo... 
Reportagem de Fábio Fabrini afirma que a Procuradoria-Geral da República tem em mãos escutas mostrando que o laboratório mineiro Hipolabor pedia uma forcinha a Rafael Barbosa, via Francisco Borges Filho (chefe de gabinete de Agnelo quando ele foi deputado federal), quando precisava acelerar certas demandas na Agência, entre 2007 e 2010, época em que Agnelo era um dos diretores. Barbosa hoje é secretário de Saúde no DF. E foi o principal homem da campanha de Agnelo.
É bom que se diga que são escutas legais, obtidas com autorização, em investigação da Receita mineira, Polícia Civil e Ministério Público daquele estado. 
Para complicar, uma agenda apreendida mostraria supostos pagamentos a Agnelo em 2010, tidos como doações eleitorais "por fora". O laboratório é acusado de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, formação de cartel e falsificação de medicamentos.
O laboratório negou tudo, até a doação (que não estava oficialmente registrada).
Mas, cá para nós, quem iria assumir uma doação "por fora"? Só se for muito estúpido... Ou gostar de distribuir panetones.
Agnelo, via assessoria do GDF, também negou e ainda viu uma perseguição política, já que a investigação é da Polícia Civil mineira, estado comandado pelo PSDB. 
Bom, por este prisma, toda e qualquer investigação da Polícia Civil do DF contra democratas e pessedebistas também estaria sob suspeição. Não acho que seja bem assim.
No fundo, esta nova investigação (que pode gerar outro inquérito contra Agnelo) traz mais intranquilidade ao governador do DF e a seu staff de comunicação. Como agirá Agnelo diante de uma pergunta sobre este assunto? Ou sobre a M. Brasil? Vai se calar? Vai responder apenas sobre o caso Cachoeira? Vai gaguejar? Vai se confundir?
Sinceramente, tem tudo para dar errado. 

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