Hoje mesmo ele postou uma nota digna de apreciação, que me fez pensar. Leva o título de OAB contra a reeleição. Mas só de políticos. O link é este: http://www.estacaodanoticia.com/index/comentarios/id/30775 .
Para quem tem preguiça de clicar, vou reproduzir:
OAB contra a reeleição. Mas só de políticosNada mais que a pura verdade.
Da redação em 27/06/2012 14:29:48
Em 12 de abril de 2011, o Conselho Federal da OAB aprovou proposta pedindo o fim da reeleição para os cargos majoritários – presidente da República, governadores e prefeitos. Com celeridade, o presidente da entidade, Ophir Cavalcante, entregou, em 14 de abril, esta e outras sugestões ao presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), para que fossem discutidas no âmbito da reforma eleitoral em curso no Congresso Nacional.
A ideia é boa, pois acabaria com os governos que passam o primeiro mandato inteiro se preparando para a sua reeleição, governando apenas com fins eleitoreiros. Só que ela embute em si uma contradição: embora na OAB nacional a reeleição não exista, nas seccionais ela é livre. Há casos de advogados que vão para o terceiro mandato, como Wadih Nemer Damous Filho, do Rio de Janeiro, que desde 2007 toca a entidade. Ou o de Luiz Flávio Borges D’Urso, que comanda a OAB-SP desde 2004.
Arrojada para apear os comandantes eternos do poder político, a OAB é tímida para regular a mesma questão em seu terreno. Há quem diga que se trata de respeito à autonomia dos estados. Há quem diga que falta valentia para desafiar os coronéis das leis nas seccionais da Ordem.
Com a palavra, Ophir Cavalcante.
O presidente da OAB nacional, entidade sempre tão respeitada, omite-se de forma esquisita nesta história toda. Pediu, com ênfase e celeridade, que a reeleição seja vetada nos mandatos políticos majoritários. Ou seja, não quer ver presidentes, governadores e prefeitos disputando reeleições. Mas fecha o olho para as seccionais. A lista de Honorato deve ser engordada com mais alguns nomes de mandatários que vão disputar releição nas OABs dos estados, como Henrique Tiburcio, em Goiás, Omar Coelho, em Alagoas, e Kiko Caputo, aqui no DF.
Nada contra nenhum deles, mas é que, para a democracia, é saudável a alternância de poder, e ela deve começar pelos núcleos da sociedade, como sindicatos, entidades classistas e clubes. Sou contra o instituto da reeleição, de modo em geral. Acho que mandatos de cinco anos são suficientes para que se feche um ciclo, seja em qual for a atividade. Tempo para planejar e executar.
Não dá para esquecer que JK só precisou de cinco anos para fazer as bases de um Brasil moderno. Nada além disso. Se hoje somos um país em franco crescimento, isso começou lá atrás, com os "50 anos em cinco". E, de fato, foi um salto destes tamanho que o Brasil deu.
A reeleição é fruto de um casuísmo de FHC. E virou moda. Todo mundo quer esta boca. Reclamam que quatro anos é pouco. Mas oito é demais. E o povo vota meio que na obrigação da continuidade, acreditando naquela cantilhena de que "é bom assim, não mexe que piora".
Mas vejam só uma coisa. Vamos supor que uma pessoa nasceu no primeiro dia de mandato da Dilma. Se esta pessoa viver 80 anos, corre o risco de ver apenas dez presidentes e governadores.
Eu, com 47 anos de vida, passei pelos governos de Castelo, Costa e Silva, Médici, Geisel, Figueiredo, Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula e Dilma. Onze presidentes. O ruim é que, dos meus 47 anos, os últimos 18 foram de apenas três nomes, Dilma, Lula e FHC. Fossem mandatos de cinco anos, estaríamos no quarto presidente, na quarta proposta, no quarto caminho.
É saudável que a OAB pretenda acabar com a festa da reeleição, monstrengo que, no Brasil, transforma o primeiro mandato em ponte para o segundo e cria certos currais eleitorais. Mas deveria varrer primeiro a casa. Ophir Cavalcante, ele mesmo impossibilitado de se reeleger, poderia conclamar as seccionais a dar o exemplo.
Será que é pedir muito?

Nenhum comentário:
Postar um comentário