A música se chama "Um a um" e fala de uma das paixões deste blog, o futebol, mas claramente se aplica à CPI do Cachoeira, especialmente após parlamentares afirmarem, ontem, que o jogo político está empatado, como definiu o senador Cássio Cunha Lima, paraibano como Jackson do Pandeiro.
“O placar desse jogo termina em 1 x 1. Agnelo foi objeto de uma disputa política que deveria estar acontecendo no plenário, não na CPMI. Acredito que nenhum dos governadores deveriam ter estado nesta CPMI. A única pergunta que eles deveriam ter respondido é: eles fazem parte do esquema do Cachoeira? E ao fim dos depoimentos temos uma resposta que é não”.
A frase resume bem o que foram as quase nove horas de depoimento de Marconi Perillo e as quase dez horas de Agnelo. Foram uma disputa política, apenas. Uma espécie de Fla-Flu entre PT e PSDB. Cada um fez um gol. Jogo empatado. Um ponto para cada. E fim.Melhor para o time que está de bye neste triangular da sujeira, o PMDB, uma espécie de Botafogo no caso, pois foi um time que empolgava no passado, mas que tem um presente sem as mesmas glórias e craques no elenco. No Alvinegro carioca, hoje não jogam mais Nilton Santos, Gerson, PC Caju e Jairzinho. A vez agora é de Maicossuel, Elkesson, Fellype Gabriel e Jefferson, com suas letras repetidas. O mesmo ocorre no PMDB, onde não tem mais Ulysses Guimarães, Franco Montoro e Tancredo Neves. O tempo agora é de José Sarney, Renan Calheiros e Sérgio Cabral Filho...
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| Olho vivo, Cabralzinho... |
E foi mais ou menos por aí o filme de ontem e de anteontem. Quando alguém engrossava o caldo, logo vinha aquele jatão de água fria, que podia ser um zum-zum-zum ("esse jogo não é um a um") ou uma série de protestos, ou uma briga, ou uma intervenção do alto comando da mesa. Os interrogatórios não rendiam, não faziam o interrogado suar.
Depois destes depoimentos, ao menos para mim, ficaram claras as seguintes coisas:
1) Agnelo não tem nada a ver com o caso Cachoeira. Mas seu pessoal estava metido até o talo com o mafioso megalobista. E foi bem ao abrir seus sigilos, mas só por cinco anos. Por que só por cinco anos, governador?
2) Agnelo não consegue explicar as coisas mais suspeitas da sua vida privada, como a compra de uma casa de 500 metros no Lago por R$ 400 mil, ou seja, menos de mil reais o preço do metro quadrado, algo impensável em qualquer lugar do País, sobretudo em Brasília.
3) A gestão de Agnelo na Anvisa, embora tenha tido suas contas aprovadas, contaminou claramente sua candidatura ao GDF. Basta visitar a lista de doadores de campanha.
4) Teremos mais dois anos de um governo inexistente na capital do País. E depois de alguns joguinhos da Copa de 2014, a galera vai esquecer que o estádio custou R$ 1 bilhão e vai reeleger Agnelo. Como (quase) sempre fez na história da cidade.
5) Perillo tem mais implicações com o esquema Cachoeira que Agnelo, mas vai se safar por falar de forma mais clara e articulada que o colega. O que não quer dizer, em absoluto, que seja inocente.
6) Ninguém quer investigar governador, por que não sabe onde isso pode parar ou respingar. Há lama para barbas, bigodes, cabelos e carecas, masculinas e femininas. Convém não revolver muito este lodo. Pode sujar vestidos...
7) Para dar uma satisfação mínima ao povo, os alvos serão Delta e Cachoeira. Muita gente vai gostar disso. Afinal, alguns bolos interessantes das obras públicas passam a ter fatias mais grossas para os velhos comedores de dinheiro público.
8) Não é por acaso que esta CPI só tem deputado de segunda linha. Mal sabem falar, quanto mais perguntar.
9) Cabral está enrolado até o talo com este povo. Mas vai sair limpinho. E ainda vai virar senador em 2014, após a Copa em um Maracanã novinho. Ecos da Copa.
10) Só na música do mítico Jackson do Pandeiro o jogo não podia acabar empatado. No mundo político ele deve terminar assim, até por que este ano é de eleição e ninguém quer perder uma boa boca.

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