quinta-feira, 14 de junho de 2012

Trago seu amor em três horas...

A foto é do craque Oswaldo Praddo, de O Dia.
E o Mulambo no braço não é alusão ao time.

Pai Sérgio não foi preso. Mas fica esperto, brou... 

O figura aí da foto de cima se chama Edmar Santos de Araújo, mas é mais conhecido nos classificados de jornais populares cariocas como Pai Bruno da Pombagira. Tem 23 anos, pinta o cabelo e tem como maior rival o Pai Sergio Duarte de Souza de Ogum (o figurinha aqui do lado), ambos especialistas na arte de trazer seu amor de volta em tempo recorde (desde que seja na cidade São Sebastião do Rio de Janeiro, pois se for na Baixada não dá para trazer em três horas por que o ônibus demora mais).  A diferença agora é que Pai Bruno da Pombagira não vai mais anunciar nos jornais, já que foi recolhido ao xilindró pelos crimes de extorsão e formação de quadrilha, como informam os sites de vários jornais, entre eles o de O dia, que edita o meia Hora, um dos jornais que publicam anúncios destes camaradas.
Aí a isenção jornalística funciona. Mesmo sendo anunciante, vai para a manchete. Mas se fosse do governo eu queria ver...
Bom, não importa agora. O papo não é política, mas religião. O sujeito lá de cima, na tradicional foto de cadeia, oferecia “trabalhos” (não fica bem anunciar “vagabundagens”) para ir tirando grana dos incautos. Mas o esquema parou numa pessoa mais corajosa. Um gerente de uma farmácia, que depois de contratar Pai Bruno por módicos R$ 170, uma 3x4 da pessoa amada, dois desodorantes (oi?) e um par de roupas usadas, ficou na espera do amor.
Em vez disso, recebeu um telefonema de uma assistente do camarada, pedindo mais R$ 550 e depois mais R$ 950 para “prosseguir com a magia negra” (ê, ê...). Alguns minutos depois, a vítima recebeu outra ligação pedindo mais R$ 950. Desconfiado, ousou perguntar para quê tanta grana. Recebeu desaforos de Pai Bruno, ameaças e mais pedido de grana. E até um SMS diabólico: : “Você vai ver o que o Diabo é capaz de fazer em sua vida.”
Valha-me Deus!
Não, valha-me a polícia...
O gerente resolveu, então, desistir do amor e ir à delegacia. Armaram uma casinha e Pai Bruno da Pombagira e seu motoboy Alex Alberto de Souza foram devidamente guardados, esperando agora para responder por outras centenas de queixas que começaram a pipocar. Todas pelo mesmo crime: extorsão. Não há informações de queixas no Procon por falta de entrega da pessoa amada no período. Queria ver se fosse a Americanas.com prometendo...
É sempre assim. As pessoas se iludem com os vigaristas. E desde o tempo de Moisés que, para organizar a coisa, teve de proibir certas atividades, como adivinhações, jogos e contatos espirituais. E foi aí que todo mundo começou a colocar espiritismo no mesmo balaio deste tipo de atividades.
Por favor, vamos nos informar.
Espiritismo é uma religião que nasceu na França, por volta de 1850. Seu ritual (a gente não acha que isso é ritual, mas é) resume-se a uma mesa, alguns médiuns, uma garrafa de água e passes. Só.
Ah, então é umbanda.
Não é. Umbanda não é espiritismo, mas está longe disso dái. Umbanda tem um batuque, tem gente vestida de branco, cânticos, orixás, até umas obrigações, mas não é isso.
Só pode ser candomblé.
Errou. Candomblé também não é espiritismo. Nem umbanda. Tem batuque, cânticos, obrigações, trabalhos, orixás, mas não é nem perto disso.
E o que é isso?
Isso aí é vigarice, exploração do desespero alheio, ameaça, extorsão e formação de quadrilha. É crime, é uma ofensa a qualquer religioso cujas práticas versam com espiritualidade e deve ser punida com cana pesada, para que o meliante não ouse repetir.
E não adianta Pai Bruno culpar o Diabo. Ele não tem nada com isso. Afinal, o capeta é tão esperto que não quer uma alma desgraçada destas nem a cacete no inferno. 

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