terça-feira, 24 de julho de 2012

A importância dos vices

Lyndon Johnson. Vice e importante.
Pode parecer, mas não se trata de futebol. O assunto é político. E provocado por um anúncio do prêmio Top of Mind, publicado no Jornal de Brasília de hoje, que pergunta quem foi o vice de John Kennedy, para provar que ninguém lembra dos segundos colocados.
Bem, a campanha do Top of Mind não sabe. Mas o resto do mundo sabe que o vice-presidente de John Fitzgerald Kennedy foi Lyndon Baines Johnson. Com a morte de JFK, assassinado em 1963, o ex-deputado e ex-senador texano, nascido em Stonewall, não só terminou o mandato do titular, como  se reelegeu. Curiosamente, vejam só, entregou a faixa presidencial americana para Richard Millhous Nixon, justamente seu antecessor na vice-presidência, durante o governo de Dwight Eisenhower, entre 1953 e 1961.
O mandato de Lyndon Johnson foi marcado por uma das páginas mais feias da história americana: com ele no poder, os Estados Unidos entraram de cabeça na malfadada Guerra do Vietnã.  
Mas nem todo vice de lá foi tão polêmico. Só que é grande a importância dos vices na história dos EUA. Vamos fazer uma listinha daqueles que, eleitos como vice, depois ocuparam o cargo máximo por lá:

  1. John Adams - vice de George Washington, primeiro presidente, o sucedeu em 1797
  2. Thomas Jefferson - era vice de Adams e o sucedeu em 1801.
  3. Martin Van Buren - vice de Andrew Jackson. O sucedeu em 1837.
  4. John Tyler - vice de William Henry Harrisson, o sucedeu após sua morte, com um mês de mandato.
  5. Millard Filmore - era vice de Zachary Taylor e o sucedeu após sua morte, completando o mandato.
  6. Andrew Johnson - entrou como vice no segundo mandato de Abraham Lincoln e completou o mandato após o assassinato do titular.
  7. Chester Arthur - vice de James Garfield, assassinado durante o mandato.
  8. Theodore Roosevelt - vice no segundo mandato de Willian McKinley, quando este foi assassinado. Completou o mandato e foi reeleito.
  9. Calvin Coolidge - vice de Warren G. Harding, que morreu de infarto. Completou o mandato e se reelegeu.
  10. Harry Truman - vice de Franklin Delano Roosevelt, em seu quarto mandato (uma exceção histórica) assumiu na reta final da Segunda Guerra Mundial, autorizou as bombas atômicas no Japão e fundou a CIA.
  11. Lyndon Johnson - vice de JFK, o homem da Guerra do Vietnã
  12. Richard Nixon - foi vice de Eisenhower, perdeu a eleição no fotochart para JFK, deu um tempo e se elegeu para suceder Johnson. Renunciou por causa de Watergate.
  13. Gerald Ford - vice de Nixon, assumiu o mandato, mas perdeu a reeleição.
  14. George Bush (pai) - era vice de Ronald Reagan e o sucedeu, eleito pelo voto.

Alguns assumiram o mandato por morte (lá eles gostam muito de mandar bala nos presidentes) do titular, mas vários se reelegeram. Outros acabaram por suceder o presidente ou serem eleitos anos depois, como é o caso de Nixon, derrotado por JFK em 1961, mas eleito para suceder Lyndon Johnson. E Gerald Ford, um completo pateta, não conseguiu se reeleger, derrotado por Jimmy Carter.
O Brasil também tem seus vices de relevo. Façamos a listinha:

  1. Floriano Peixoto, que sucedeu o Marechal Deodoro da Fonseca.
  2. Afonso Pena, vice de Rodrigues Alves e eleito seu sucessor. 
  3. Nilo Peçanha, que assumiu no lugar de Afonso Pena, que morreu exercendo o cargo.
  4. Venceslau Brás, vice de Hermes da Fonseca, que foi eleito para sucedê-lo.
  5. Delfim Moreira, vice de Rodrigues Alves, que assumiu um mandato-tampão para segurar a barra, após a morte do titular, vitimado pela Gripe Espanhola (hoje mais conhecida como H1N1).
  6. Café Filho, vice de Getúlio, que assumiu após o suicídio de Vargas.
  7. Jango, vice de Jânio Quadros, que passou à Presidência com a renúncia do titular.
  8. José Sarney, vice de Tancredo, mas presidente desde o primeiro minuto do mandato.
  9. Itamar Franco, vice de Collor e que manteve o País em paz mesmo após o impeachment.

Ok, você vai lembrar de futebol e querer sacanear o Vasco, tal e coisa. Mas até no futebol o vice tem a sua importância.
Duvida? Então atura esta...
Na temporada 1973/1974 da Copa Europeia de Clubes Campeões, hoje Champions League, o campeão foi o Bayern de Munique, que na final venceu o Atlético de Madrid. Mas o time alemão se recusou a fazer os dois jogos contra o Independiente, da Argentina, assustado com a violência dos sulamericanos. O Atlético de Madrid, que não tinha medo de cara feia, decidiu encarar os argentinos. Perdeu de 1 x 0 em Avellaneda e venceu por 2 x 0 no Vicente Calderón. Virou campeão do mundo sem ter conquistado a Europa.
Percebeu como esse negócio é bobagem?

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