Pois bem, por ser ano olímpico, nos lembramos sempre da máxima atribuída ao Barão Pierre de Coubertin, idealizador dos jogos da era moderna: "o importante não é vencer, mas competir, e com dignidade".
Tá bom, ela não é lá muito respeitada nos dias atuais. Atletas abriram mão da dignidade e usaram o doping para vencer. Medalhas tiveram de ser cassadas, gente boa abandonou a carreira cedo para não ser flagrado, num vale-tudo intragável.
Mas, de certa forma, apesar desses incidentes, mantém-se ainda um certo resquício do amadorismo, graças, por exemplo, a imagens com esta:
É a chegada da maratona nos Jogos de Los Angeles (1984) e a suíça Gabrielle Andersen-Scheiss luta para chegar em décimo lugar. Mas que isso: luta para honrar a tradição dos atletas, de competir até o final.
Mais recentemente, nos Jogos de Sydney (2000), Eric Moussambani, da Guiné Equatorial, nadou sozinho uma prova de consolação. Quase se afogou, mas encarnou o espírito olímpico.
Um show de respeito ao público. Um herói, com todas as características de coragem e ousadia.
O que os dois têm falta a Jade Barbosa, que primeiro desprezou a convocação por causa de seus patrocinadores (que são diferentes dos da seleção olímpica de ginástica), depois voltou atrás e agora apela até para lágrimas na tentativa de conseguir de volta a vaga em Londres.
Ela agora fala em sonho.
Eu acho que foi pressão dos mesmos patrocinadores.
Espero apenas que ela fique fora dos Jogos. Jade não merece tentar uma medalha. Jamais terá a postura das grandes campeãs no pódio, nem a altivez dos grandes competidores.
O esforço de gente como Eric Moussambani e de Gabrielle Andersen-Scheiss merecia ao menos respeito. Mas isso Jade não tem. E agora chora.
Um adendo pós-postagem:
Roberto Ferreira, que foi meu editor em O Dia e A Notícia escreveu na minha timeline no Facebook sobre o que eu disse aqui. Transcrevo a seguir.
"Conheço essa menina desde que ela nasceu. Eu vi todo o esforço dela ao longo de muitos anos por amor à ginástica olímpica. Vi como superou a morte prematura da mãe... Com apoio do pai, que sempre foi seu maior incentivador, ela persistiu...E tem o meu respeito... Apenas isso."Acho o registro fundamental. Até por que, como ele mesmo disse em outra postagem posterior a essa, julgar é difícil. Dei minha opinião, mas ela não é infalível. Nem definitiva.
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