segunda-feira, 16 de julho de 2012

A volta das múmias

Eu te pego, satanás!
Passei o fim de semana curioso. Chamadas bombásticas do Fantástico anunciavam que Rosane Collor, a ex do ex, iria fazer revelações dobre seus tempos de chefe da Casa da Dinda. Muito embora tudo me parecesse uma tremenda fofoca motivada por dor de cotovelo, fui conferir, na esperança de ver ali algo que me fizesse entender melhor a vida política deste País. Algo como uma confissão explícita de malversação de verbas na LBA, a indicação de contas onde dinheiro público pudesse estar enfiado ou, pelo menos, que ela contasse histórias escabrosas e pornográficas, relacionando o ex-marido famoso a grandes surubas com atrizes e modelos ou a já descrita (pelo falecido Pedro Collor) colocação de delicados supositórios de cocaína nos fundilhos do então homem forte da Nação.
Que nada.
Após um tempão, lá vem ela. Dentuça ainda, mais bonita (a idade fez bem à moça) e com um discurso evangélico. A revelação era a de que Collor era chegando a uma curimba mais pesada, uma espécie de candomblé hard core. E que ela se arrepende por que virou ovelha do Senhor.
Conheço vários evangélicos e tenho a certeza que a esmagadora maioria ficou indignada (soletrando bem devagar: indignada, pê-u-tê-a) com esta senhora. Afinal, Rosane usou a religião, Jesus e tudo mais apenas para destilar vingança e vender livro. Por que nada do que ela falou se aproveita para porra alguma.
O que me deixou encafifado, desde o começo, foi o súbito interesse da Globo em seu ex-queridinho, que entrevistei quando da sua eleição para o Senado. Por que, afinal, a Globo resolveu dedicar um bloco inteiro do Fantástico a uma ex que não tinha nada relevante para falar?
O povo da teoria da conspiração já viu nisso uma associação da grande mídia para defender o Policarpo e a Veja, num complô para atacar Collor. Peraí, minha gente... Se fosse isso, era o caso de demitir todos os integrantes do tal complô. Por que foram de um amadorismo e de uma abissal incompetência. Collor saiu sem prejuízos. No máximo, é chegando a um feitiço. No máximo...
Sou um simplista, por que a vida me ensinou que quanto mais simples parece o caminho, mas difícil ele acaba sendo. E, na minha eterna simplicidade e na minha crônica rejeição a uma orquestração ampla de interesses (por que não existe combinação bem feita quando passa de dois), acredito mesmo é que o episódio revelou que temos uma péssima geração de jornalistas em postos estratégicos da TV, do rádio, do jornal e da internet, não só na Globo, mas em todos os lugares. Gente que não sabe avaliar uma pauta direito. E que morre de medo de agir com o rigor da chefia.
Claro que uma primeira-dama abrir o bico é bom. Você tem de ouvir, gravar e colocar no ar. Mas ao ver o que a princesinha de Canapi tinha a dizer, transformasse aquela balela toda numa materinha de dois minutos, no máximo, colocando-a no bloco de fofocas. Ou jogasse a merda toda fora. O que não se faz é criar a expectativa de uma bomba e soltar um traque. Feio demais. Sinceramente, perdi meu tempo.
Mas isso vai ter uma consequência. Não verei mais o Fantástico. Aliás, só o verei quando ele for apresentado por Zeca Camargo e Raí.

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