quinta-feira, 12 de julho de 2012
Os cinco covardes
O instituto do voto secreto é um dos maiores e mais importantes pilares da democracia e garante ao eleitor a liberdade plena de escolha. Ele só se torna indigno em um dia como o de hoje, quando há uma votação para determinar a cassação de um parlamentar. Caso do senador Demóstenes Torres, o Harvey Dent (Duas Caras) da política brasileira.
Aí o voto secreto é um biombo para esconder a canalhice. Foi graças a esta distorção que Jaqueline Roriz escapou da degola. E era nele que Demóstenes apostava. Por que, numa cabine fechada, protegido pelo silêncio, o parlamentar faz o que quer.
Para Demóstenes, não houve jeito. Perdeu por 56 a 19, tomando o caminho da lixeira política e se juntando a Luiz Estevão no rol dos senadores cassados. O que me espantou não foi a sua cassação. Afinal, foi eliminado da política (ao menos até 2027, se o STF não anular a decisão) um senador que publicamente era implacável com os rivais e posava de paladino da Justiça, mas que por baixo dos panos loteava seu mandato a Carlinhos Cachoeira.
Fiquei realmente chocado com as cinco abstenções. Isso sim me deixou pasmo.
Nem mesmo protegido pelo anonimato o sujeito foi capaz de se manifestar. Trata-se do pior tipo de gente, aquela que é incapaz de se posicionar, mesmo contra a onda geral. O parlamentar que se abstém é indigno do nosso voto. Foge da delegação popular de tomar uma decisão. E ainda por cima oculta sua canalhice com o voto secreto.
Sinceramente, prefiro os 19 que se postaram ao lado do cínico Demóstenes, mesmo igualmente no anonimato, aos cinco que se abstiveram. Por que os 19, ao menos, tomaram uma atitude. Fecharam com o mau-caratismo, mas tomaram partido. Os cinco ratos que se abstiveram mereciam acompanhar o ex-senador e deixar a vida pública. Infelizmente, não o farão, por estarem valhacoutados no silêncio da cabine eleitoral.
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