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| Demóstenes, o Harvey Dent goiano |
Cesare Lombroso entrou para a história há mais de um século, graças a estudos, como médico e cientista, dos criminosos. Seu trabalho era amplo e foi ele uma das primeiras pessoas no mundo a defender que se usassem mecanismos paralelos para evitar o crime, listando medidas como educação, iluminação pública e policiamento ostensivo. Não foi a toa que influenciou gente do quilate de Émile Zola, Tobias Barreto e Fernando Pessoa.
Mas Lombroso não ficou famoso só por isso. Em seus estudos, ele acreditava que havia o chamado "criminoso nato", determinado por características físicas e somáticas, sendo possível prever, com isso, as pessoas que poderiam se tornar criminosas, o que entrou para a história como "teoria criminal lombrosiana".
Para ele, o criminoso tinha um perfil: nuca pronunciada, órbitas dos olhos grandes, testa fugidia, arcos superciliares excessivos, ossos da face salientes, mandíbula inferior projetada para fora (a chamada boca de pia), nariz torcido, lábios grossos, arcada dentária defeituosa, braços excessivamente longos, mãos grandes, anomalias dos órgãos sexuais, orelhas grandes e separadas e polidactia (o chamado sexto dedo). Um baita de um monstro...
Também classificava seis tipos de delinqüentes: o “nato” (atávico), o louco moral (doente), o epilético, o louco, o ocasional e o passional.
Da teoria lombrosiana sabe-se que nenhuma das características físicas listadas por ele é garantia de termos pela frente um criminoso. E também sabe-se que há outros tipos de criminosos. O pior deles é o dissimulado.
Detesto prejulgar as pessoas, mas quando penso em um indivíduo dissimulado, a imagem que vem à minha mente é a do senador goiano Demóstenes Torres.
Demóstenes sempre foi um paladino da justiça, dedo em riste para acusar a tudo e a todos, colegas de partido ou de agremiações diferentes. Agia como um membro do MP no Congresso. Era respeitado. Mas tinha uma vida paralela. Era amigo do megalobista Carlinhos Cachoeira. Trocou 300 telefonemas com ele. Ganhou uma cozinha completa e um fogão de presente de casamento de um sujeito que, entre outras negociatas, explorava o jogo ilegal. Recebeu um Nextel só para conversas. Pediu dinheiro emprestado, voou em jatinhos e teria usado o mandato em prol dos negócios do amigo. Era uma espécie de Harvey Dent, o promotor de Gotham City que vira bandido após o acidente que o desfigura. Detalhe: a única coisa que desfigurou Demóstenes foi seu emagrecimento após uma cirurgia, uma mudança que teria sido feita para melhorar a sua vida.
Demóstenes nega tudo, certas horas usa o silêncio como arma, em outras o apelo emocionado aos que julgavam que ele era inocente e que admitem sua culpa agora, como fez ontem, no Senado. Desqualifica as provas da investigação (acho escutas uma arma de dois gumes, mas foram autorizadas pela Justiça e nelas aparece ele falando claramente), mas admite a amizade com um megalobista e contraventor. Chora, se diz arrasado, fala em inocência.
Pode até ser. Mas é duro de crer. Não só pelas escutas, mas por tudo que veio à tona.
Se Lombroso fosse vivo, certamente teria um case incrível para estudar. Demóstenes não possui características similares ao criminoso nato descrito pelo italiano. Mas age como se fosse. E, o que é pior, era um homem da lei.
Socoooooooorroooooooo!!!!

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