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| Juninho, em foto de 96, ainda aspirante a astro vascaíno |
Após a reformulação da intertemporada, intervalo entre Carioca e Brasileirão, os clubes faziam alguns amistosos e depois partiam para os torneios da Europa, como era hábito. Foi nesta intertemporada que ele estreou, em um modesto amistoso realizado em 19 de julho de 1995, uma derrota por 1 x 0 para o Corinthians de Caicó (RN). Ainda sem brilho, participou da vitória por 1 x 0 sobre o Baraúnas, também no Rio Grande do Norte, e rumou para o giro na Rússia, Grécia e Espanha. Encarou bons times, como o AEK, Atlético de Madrid e o Barcelona. O Vasco voltou invicto e com o Troféu Cidade de Palma na mala. Juninho jogou e venceu sua primeira competição.
Passou a ser titular do renovado Vasco de Jair Pereira.
Mas faltava a estreia oficial, em campos nacionais. E ela ocorreu em 26 de agosto de 1995, há 17 anos. Na Vila Belmiro, sempre um caldeirão. Abertura do Brasileiro daquele ano, contra o Santos, que seria vice-campeão brasileiro naquele ano, garfado na final contra o Botafogo.
Em campo, do lado santista, Edinho, Marquinhos Capixaba, Jean, Cerezo e Piá (Robert); Gallo, Pintado Giovanni e Marcelo Passos (Carlinhos); Jamelli (Wellingotn) e Macedo. No Vasco, uma garotada, mesclada com alguns veteranos: Carlos Germano, Pimentel, Tinho, Ricardo Rocha e Jefferson; Charles Guerreiro, Nelson, Juninho Pernambucano (Geovani) e Yan (Sidnei); Leonardo e Valdir.
Começamos levando 2 x 0 em 12 minutos de jogo. Viramos para 5 x 3. Dois gols do Leonardo, dois do Valdir Bigode e um do Juninho Pernambucano.
Estava começando uma história de amor eterno entre torcida e jogador.
A campanha do Vasco naquele Brasileirão foi medíocre. Acabamos em 20° lugar, à frente apenas de Flamengo, Vitória e dos rebaixados Paysandu e União São João. Só ganhamos mais seis jogos, colecionamos 13 derrotas e três empates. Depois de 25 jogos e 9 gols, Leonardo foi repasssado ao Palmeiras (e não ficou por lá). Juninho quase foi embora, mas permaneceu, apesar de ter feito só mais dois gols. Mas o potencial era evidente.
A partir dali, a carreira dele no Vasco foi uma ascendente. Virou titular. Jogou dois cariocas e um Brasileiro, até conseguir por uma faixa de verdade de campeão no peito. Foi no Brasileirão de 1997, naquele time fantástico com Edmundo e Evair na frente, ele, Ramón e Pedrinho se revezando nas meias, Nasa, Nelson Patola e Luisinho na contenção, Odvan e Mauro Galvão na zaga, Germano no gol e Válber e Felipe nas laterais. Timaço que venceu 21 jogos, empatou sete e perdeu só cinco, todos na primeira fase.
A partir daí, não houve jeito: o céu era o limite. Em 98, Juninho, no meio de campo do Vasco, tendo à frente agora a dupla Luizão e Donizete, comandou o time na Libertadores e no Carioca de 98, mais dois títulus para a estante. Só não trouxe a Copa Toyota daquele ano por puro azar. Dominamos o Real Madrid, merecíamos vencer, mas a justiça e o futebol nunca estão na mesma balança.
Juninho foi fundamental em vários momentos naquele ano. Foi dele o gol do Vasco contra o real, na final da Copa Toyota. Mas antes, e mais importante, foi este gol aqui, contra o River Plate, em pleno Monumental. Antonio Lopes tinha optado por Pedrinho, deixando Juninho no banco. Tomamos 1 x 0, o River apertava e o treinador resolveu colocá-lo. Aos 37 do segundo tempo, ele cobrou a falta e nos deu a vaga na final.
Juninho e o Vasco iam ganhando tudo. Depois do glorioso ano do centenário, ainda papamos, com ele no time, o Rio-São Paulo de 1999, o Brasileiro de 2000 e a Mercosul de 2000, esta com uma exibição de gala do time e uma imagem que arrepia até a alma: o Reizinho conclamando a torcida a levar o time à virada, após empatarmos por 3 x 3 uma final que perdíamos por 3 x 0.
O final, todos já sabem: ganhamos pelos 4 x 3, na maior virada de todos os tempos.
Mas Juninho Pernambucano nunca foi um queridinho da mídia. Especialmente nesta fase vitoriosa. Somente quando ele decidiu deixar a ditadura do Eurico, rumo à Europa, repararam direito nele e em seu futebol. Chegaram a pedi-lo como titular em 2006. Se fosse, a história poderia ter sido diferente.
Sei que o sonho da Flapress era ver o Reizinho, um dia, na Gávea. Aliás, o sonho de dez entre dez jornalistas flamenguistas cariocas é ver craques vascaínos com o uniforme deles. O incrível é que todos que fazem este caminho jamais repetem o sucesso que tiveram no Vasco. Que o digam Jair Rosa Pinto, Romário e outros tantos que, um dia, partiram para o lado obscuro da força. Curiosamente, quando o caminho é traçado ao contrário, o sucesso é maior. Não é mesmo, Bebeto?
Mas Juninho jamais faria isso com a torcida e o clube que ele ama. Realizado financeiramente, depois de temporadas na França e no Catar, e diante de um Vasco mais democrático, ele voltou, ganhando apenas um salário mínimo por mês. Voltou maduro, falante, vibrante. Voltou articulado, forte, ainda mais atleta. Sempre foi um cara caseiro, sem baladas ou bebidas. Tem 37 anos. E físico de garoto.
Ontem, mais uma vez, Juninho mostrou por que é rei. Em seu 354° jogo pelo Vasco, dominou o meio campo, não se intimidou com o oba-oba em torno de Seedorf e ainda mostrou garra e técnica para, aos 41 minutos, entrar na área, ser derrubado no choque físico, puxar a bola, erguer-se e, de cabeça em pé, tocar a bola limpa para o gol do Alecsandro.
Uma pena que talvez tenhamos o Juninho por, no máximo, mais um ou dois anos. Uma pena que a ignorância clássica da Flapress, que sempre acaba por contaminar a comissão técnica da seleção brasileira, tenha sempre deixado ele de lado. Mas, graças aos céus, Juninho segue aí, jogando o fino, mostrando que ser craque não depende de idade, mas de estilo de vida e inteligência. E que um reinado é feito de bom comportamento (já viu ou ouviu falar dele em balada ou festinha com traficantes e marginais afins?), longevidade, amor e glórias. Perdemos o Juninho por dez anos, mas ele jamais deixou de ser nosso rei.
Vida longa ao Rei!
PS - O Leonardo, aos 38 anos, anda enrolado com sua vida. Torço para que resolva os galhos. Não deu certo, apesar das inúmeras chances que a bola deu a ele.

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