Conheço o Yanko há pelo menos 12 anos. Nunca soube de nada que desabonasse sua conduta profissional. Mas, na sexta, ele virou quase que um bandido. Seu crime? Trocar telefonemas com Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, sargento da reserva da Aeronáutica tido como espião de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, megalobista que espreita os negócios da República. Virou reportagem da Época. Com alarde.
A esta altura, você já deve estar pensando que Yanko queria vender a chave da sala cofre (onde estão as provas da CPI que investiga os negócios de Cachoeira na República) para Dadá...
Não. Yanko não tem a chave da sala. E ela é filmada 24 horas por dia.
Uai, você coça a cabeça e dispara: se não é isso, então ele queria repassar cópias de material sigiloso para que o bando se defendesse...
Não. Yanko não tem acesso as provas. Só faz a guarda de uma sala monitorada por câmeras, da qual, repito, ele não tem as chaves.
Então ele queria...
Antes que você suponha, mais uma vez, errado, é bom que se diga que Yanko realmente pediu um favor a Dadá: queria apressar a concessão de passaaportes para os filhos. E que ele sabia que Dadá tinha trânsito com a PF. Não sabia que era espião de Cachoeira. Foi lá e pediu um favor a um amigo.
Agora vem o detalhe crucial: isso foi em 2011, um ano antes da CPI.
Pediu um favor, como todo mundo já fez na vida. Quem não pediu, por favor atire no monitor a primeira pedra em cima de mim. Sejamos justos: esse tipo de pedido é o jeitinho brasileiro, que pode ser até moralmente condenável (furar fila não é bonito, meu amigo Yanko), mas é crime? Sustenta-se diante de uma análise fria dos fatos? Merecia duas páginas de uma conceitada revista semanal?
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| Vitalzinho foi rápido para prejulgar. Será tão eficiente presidindo a CPI? |
Pelo visto, merecia, já que as ocupou. Yanko foi linhchado publicamente na reportagem, que é extremamente parcial. Teve sua idoneidade questionada pelo presidente da CPI, Vital do Rêgo (PMDB-PB), com uma velocidade inacreditável, já que político algum resiste a aparecer bem na foto. Vai ser olhado com desconfiança pelos colegas, investigado no Senado e, provavelmente, será inocentado ao fim. Restará, então, se juntar ao ministro Vicente Leal na galeria dos que apanham nas manchetes por uma suspeita e que depois, quando se constata que eram inocentes, viram apenas uma notinha discreta na Internet.
Só me pergunto até quando a imprensa fará isso impunemente...
Só me pergunto até quando a imprensa fará isso impunemente...

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